Inovação no mercado imobiliário: Conecta Imobi apresentou as tendências para o setor

Recentemente, aconteceu em São Paulo o maior e mais completo evento de tecnologia, negócios, marketing e inovação do mercado imobiliário. Hoje, sem dúvida, é o evento que dita e apresenta as tendências para o setor imobiliário no Brasil. Quem não foi no Conecta Imobi perdeu! 

Mas será que alguém não foi? Acho que o mercado imobiliário inteiro estava lá!

Um dos momentos que mais me chamou a atenção foi a palestra do diretor de marketing da Tecnisa. Ele falou de inovação no mercado imobiliário em um speech intenso e chocante, um verdadeiro tapa na cara de todos que estavam lá!

Ele mostrou a importância de entender como utilizar dados para a tomada de decisões e foi claro quando disse que quem ficar de fora vai dançar! Nas palavras dele: Ou você é um cara foda ou tá fora do jogo! Quem for mediano será substituído por algoritmos. É angustiante o que vem pela frente!” 

Compartilho com você, alguns pontos importantes apresentados por Busarello.

Big data no setor imobiliário

Vocês se lembram dos anúncios em revistas e jornais ou mesmo os panfletos com propagandas de imóveis? Pois é, eles vão acabar! E já estão acabando. Busarello explicou que o consumidor está aderindo em massa às plataformas digitais e, por isso, a Tecnisa decidiu mudar suas estratégias de marketing.

Hoje, a aposta da empresa é o Big Data para atingir o público de maneira muito mais segmentada, com custo mais baixo. Por exemplo, é possível identificar uma pessoa de 40 anos, residente da Zona Oeste, com renda anual maior de R$ 40 mil e que passou três ou quatro vezes em frente ao mesmo empreendimento (informação adquirida através de dados do Waze).

É assustadora a velocidade como as coisas estão mudando. Eu trabalhei com lançamentos imobiliários por 15 anos e até poucos anos atrás os anúncios de jornal eram uma das principais peças para as campanhas. Busarello foi claro quando disse que esse ano a Tecnisa não fez nenhum anúncio de jornal (em 2013, foram mais de 600!).

Na conclusão da sua palestra, ele reforçou a importância do uso do Big Data para as imobiliárias: As imobiliárias ainda não entenderam que elas não são mais empresas de corretagem. Elas são empresas de dados. E a hora que elas entenderem isso, elas vão matar as houses“.

Transformação digital

Toda essa inovação no mercado imobiliário é decorrente da transformação digital que estamos vivendo. Busarello disse que 60% da navegação diária do site da Tecnisa é feito por smartphones e mais de 70% das vendas são realizadas pela internet.

Segundo ele: “Nos próximos 2 anos, 100% dos clientes da empresa vão conversar com robôs antes de comprar!” 

Ele disse também: Eu vou mandar embora 90% dos corretores, mas vamos contratar centenas de pessoas para trabalhar com inteligência artificial e 25% dessas pessoas serão professores ou estudantes de letras que atuarão como gestores de empatia de robôs! 

A maneira como as pessoas buscam imóveis mudou e por isso, a mídia também mudou. E já está mudando de novo!

Se antigamente as pessoas se guiavam por anúncios de jornal, cavaletes e panfletos recebidos nos faróis, hoje a internet é unanimidade. Há 8 anos, havia apenas dois portais de imóveis. Hoje, já são mais de 15.

Como todo mundo utiliza a internet para buscar imóveis e as empresas fazem uso de estratégias parecidas, isso inflacionou muito a mídia digital do mercado imobiliário. Há 10 anos, o clique da palavra “imóvel cidade de SP” custava poucos centavos no Google Ads. Hoje, esse valor pode chegar a R$ 30. Por essa razão, Busarello disse que, na Tecnisa, estão trabalhando com startups que utilizam dados para poder impactar os consumidores de maneira mais direta, aumentando a eficiência e diminuindo a dependência do Google e do Facebook. São as chamadas “martechs” (startups que utilizam tecnologia para criar estratégias de marketing).

E bota inovação no mercado imobiliário!

Busarello disse que a Tecnisa tem parceria com 28 martechs com funções diversificadas. Uma delas, por exemplo, ajuda na recuperação de pessoas que abandonam a compra no site da empresa (clientes que navegam, buscam, mas não compram). Outra, faz a correlação entre o banco de dados da Tecnisa com outros bancos de dados como, por exemplo, a plataforma Multiplus. Assim, um corretor pode entrar em contato com uma pessoa que navegou pelo site da empresa e que está filiado ao programa de milhas e usar o fato de o imóvel garantir benefícios como um atrativo a mais para a compra. Há ainda uma martech que avalia qual a melhor média de preço para um imóvel destinado a um público-alvo específico a partir de informações de renda, idade, estado civil, etc.

Futuro do mercado residencial e comercial

Toda essa inovação no mercado imobiliário reflete as mudanças no comportamento das pessoas que são aceleradas pela tecnologia. Saí da palestra pensando sobre o impacto dessas mudanças na forma como a gente vai se relacionar com os imóveis no futuro. Não é só a maneira como as pessoas buscam e compram imóveis que está mudando, mas também a maneira de viver!

O Busarello disse que o sentimento de posse com relação a um imóvel deve diminuir e até desaparecer, assim como o vínculo com o corretor, o contrato, o cheque caução… efeito Airbnb! Uma enorme quebra de paradigma! 

Outra mudança prevista por Busarello é no segmento comercial. Ele disse que as empresas já não irão mais se orgulhar de ter uma sede própria. Em vez disso, vão querer atuar nos espaços de coworking, principalmente as mais novas. Busarello disse que as companhias, cada vez mais, vão valorizar a flexibilidade, a facilidade e a oportunidade de trabalhar em comunidade.

A Tecnisa do futuro

A Tecnisa também vai mudar. Busarello disse que é possível que a incorporadora deixe de ser uma empresa B2C para ser B2B, vendendo um prédio inteiro para uma empresa X que irá alugá-lo para quem bem entender, por exemplo. 

Outra coisa: ele falou que será possível que a empresa crie sua própria plataforma on-line, focando mais no aluguel do que na venda. Pensando bem, isso vai de acordo com o que ele disse sobre a mudança do jeito com que a gente se relaciona com os imóveis. Assim, a empresa vai ser tipo um Spotify ou Netflix do mercado imobiliário.

Se você trabalha em uma incorporadora ou imobiliária deveria estar atento a essas transformações. Repensar os modelos de negócios e entender como sua empresa pode colaborar e aproveitar toda essa inovação no mercado imobiliário não é mais uma questão de ser moderninho e sim de sobrevivência. Como disse Busarello, quem não entrar nessa, será substituído por algoritmos”.

Gostaria de saber qual a sua visão sobre o futuro do mercado imobiliário. Como você e sua empresa estão se reinventando para aproveitar as oportunidades? Deixe seus comentários.

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